Vida

Uma voz que encanta

Ele nasceu Luiz Carlos Alves da Silva, às margens do rio Capibaribe, no Recife, em 1965. Filho de militar do exército foi morar em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, ainda no primeiro ano de vida. Dois anos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro.

Em 71, regressou para sua terra natal e passou a receber todaainfluência da rica cultura pernambucana. Em 1975, aos nove anos de idade, pisou pela primeira vez um palco, acompanhando os primos Nadia e Tuca Maia, do Grupo "Alcano", no "Segundo Festival Um Milhão de Amigos". Foi algo inesquecível, que marcou profundamente a vida do pequeno Carlinhos. Desde então, ele não parou mais: apresentou-se como croner de várias bandas de baile do Recife, chegando a fazer uma excursão pelo Nordeste com o Grupo "Estação Central".

E era sempre o artista e seu inseparável violão - que ele sempre tocou de trás pra frente. Também pudera... mesmo sendo canhoto, ele aprendeu a tocar no violão do irmão e por isso mesmo, não podia inverter as cordas. Isso garante uma sonoridade sem igual.

Em 85, novamente um rio torna-se ponto de partida em sua vida: ele fez-se Carlinhos Veloz às margens do Tocantins, uma de suas maiores fontes de inspiração. E este foi um ano de grande importância para ele. Foi no Maranhão que Carlinhos Veloz começou a sua carreira solo como cantor e compositor, vencendo grandes festivais de música da região tocantina. Estava definitivamente traçado o início de sua trajetória em busca de um espaço no cenário da música brasileira.

Sentindo-se um catalisador e um decodificador das mensagens que pairam no ar, numadeterminada dimensão, como sinais enviados de várias fontes para várias freqüências, Carlinhos Veloz reconhece essas energias como "estrelas". É como se ele, com uma sensibilidade nobre, psicografasse o que há de belo no universo.

Talvez por isso mesmo, Carlinhos Veloz escreve não apenas o reflexo de suas experiências reais, mas também os sonhos que habitam sua cabeça e a das pessoas de quem ele gostaria de ser o porta-voz.

O resultado de tudo isso não poderia deixar de ser uma grande afinidade imediata que se tem ao ouvi-lo.

É como se Carlinhos Veloz pudesse ser reconhecido por traduzir e interpretar o inconsciente coletivo. E como intérprete, ele passeia com grande competência por tantos estilos Quanto quer: vai do blues americano, à ciranda, ao afoxé e ao reggae, passando pela salsa caribenha.

Mas ele não se dá por satisfeito e continua buscando novas linhas melódicas rítmicas e poéticas. E seu caminho vai se fazendo cada vez mais firme.

Em 89, Carlinhos Veloz vive um grande momento: a oportunidade de mostrar seu trabalho para todo o País, no programa da apresentadora Xuxa.

Em 1990, o artista transferiu-se para o Rio de Janeiro e a "Cidade Maravilhosa" passou a ser seu novo lar. Mas ele jamais esqueceu suas raízes. Tanto é que, dois anos mais tarde, lançou no Maranhão seu primeiro disco: "Carlinhos Veloz".

Sucesso absoluto de crítica, foi indicado como revelação regional para o "Prêmio Sharp de Música" e bateu o recorde de vendas em todo o estado do Maranhão.

Três anos depois, Carlinhos veloz lançou o seu segundo CD independente: "Vê Luz", que foi vendido em todo o País, nos Estados Unidos e na Europa. O disco foi premiado no Maranhão como o mais executado do ano pela música "Viagem de novembro" e garantiu ao artista o prêmio de melhor intérprete de 95.

Em 96, a convite do produtor cultural Fernando Bicudo, estreou como o primeiro vaqueiro da ópera popular "Catirina", apresentando-se em grandes salas brasileiras como o Teatro Nacional de Brasília e o Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro. E em homenagem ao grande compositor e maestro, no "Tributo a Carlos Gomes", ele se apresentou ao lado de grandes estrelas da música erudita, como Eduardo Álvares, Ruth Stark e, a prima-dona do Ópera House de Nova York, Aprille Milo.

Em 1997, Carlinhos Veloz participou, ao lado de grandes nomes da MPB, do projeto Pixinguinha, percorrendo várias capitais brasileiras. Um ano depois, ele deu vôos mais altos, apresentando-se na Expo-Brasil, no Carrossel do Louvre, em Paris, na França, na época da copa do mundo, e na Expo 98, em Lisboa, Portugal.

Neste mesmo ano, a convite da cantora maranhense Alcione, Carlinhos Veloz pisou o palco doCanecão, no Rio de Janeiro, com o "Baião de 2", um duo formado com o parceiro César Nascimento. Eram as comemorações pelos 25 anos de carreira da Marrom, com o show "Celebração". O espetáculo foi como um passaporte para uma série de apresentações em vários estados brasileiros e gerou um CD da dupla.

Nos anos que se sucederam, Carlinhos Veloz percorreu todo o circuito alternativo do Rio de Janeiro, passando por vários palcos, além de muitos outros espaços em São Paulo, conquistando elogios da crítica e se firmando como grande intérprete da música brasileira.

Depois, seguiu em tournée pelo Nordeste, apresentando seus funks, souls, maracatus, tecnobaiões e passeando por reggaes, blues e baladas que marcaram sua carreira.

Em 2001, decidiu morar em Portugal, onde ficou até 2002. Lá, fez contatos com músicos do mundo inteiro e aproveitou para divulgar bastante seu trabalho. Voltou a tempo de participar do Festival de Inverno de Garanhuns, em Pernambuco, onde seu show foi considerado um dos melhores do evento.

Agora, segue pelo País para mostrar seu novo CD: "Vibratons". Nele, Carlinhos Veloz alcança uma linguagem universal misturando toda a influência que carrega das culturas musicais maranhense e pernambucana a estilos clássicos de todo o mundo como jazz, funk music e, em alguns momentos, como na canção "Vazante", até unindo ritmos como maracatu, bumba-boi e ciranda às guitarras distorcidas do bom e velho rock and roll. Tudo sem perder o cuidado com a valorização dos textos e melodias que se tornaram marca na sua música.

Em outros momentos do "Vibratons", reencontramos o Carlinhos das canções doces, feitas pra se instalarem de maneira definitiva em nossas cabeças e bocas, como é o caso de "Beija-flor", feita para Tom Jobim e "Estrela", uma alusão ao ser a quem ele se refere como "divino inspirador".

Carlinhos Veloz ainda traz nesse novo trabalho uma maneira ousada de escrever disparando frases como "beije-me a boca, rasgue-me a roupa, faça o que quiser, esqueça meu nome, seja meu homem e minha mulher..." (Sede) e "eu vou de lança, você vem de boca debaixo da roupa de brim..." (Trem moleque).

E assim, acreditando que a melhor forma de retribuir a Deus o presente de nos ter colocado neste paraíso é sermos felizes, Carlinhos Veloz vai seguindo... sonhando, por saber que só sonhando se pode acordar para a vida... e cantando, por ser a sua própria vida.

É só observar. Dá até para sentir: cantar é mesmo seu maior prazer. Um prazer que ele procura compartilhar com os músicos que lhe acompanham...com o público, sempre fiel, e com toda a humanidade.

Seu canto é como uma manifestação divina na terra. Um alimento espiritual que depende de um cozinheiro de Deus para misturar bem os ingredientes certos: talento, sonho, carisma, emoção, sensibilidade e amor... na dosagem certa. O resultado não poderia ser diferente: uma empatia absoluta com a platéia.

Carlinhos Veloz derrama sua energia através de seu canto... que encanta..., fascina.... e conquista.


Suzane Jales
Jornalista e Produtora Cultural